o apanhador de cogumelos: uma proposta de jorge sousa braga para a poesia de hoje – mariana da costa valim
A configuração movediça característica do mundo contemporâneo desafia a poesia, arte da memória, a dar respostas em meio ao caos de um tempo comprimido. Na poesia portuguesa, a geração de poetas pós-70 tem respondido a essa perda de referências com uma poética da experiência num mundo fragmentado, a qual tenta tatear em meio aos escombros e salvar pedaços de memória e que, como resposta ao fim dos metarrelatos, resolveu olhar ao redor e construir poesia com o cotidiano e com o sentimento de estar e de ser no mundo.
Falando sobre essa nova sensibilidade, que rompe com as propostas poéticas realizadas pelo Grupo de 61 e pelo grupo de poesia experimental, e que se debruçava sobre o significante, Fernando Pinto do Amaral diz:
Noutra ocasião, falei mesmo de neo-decadentismo ao recordar essa dimensão finissecular de alguma da nossa poesia recente (1989), na qual sentimos um mal-estar vital, um desconforto surdo e penetrante que talvez venha a fazer desta curiosa geração não a da presença, mas a ausência [...]. (1991, pp. 51-52)
De fato, os poetas desta geração trazem marcas muito próprias de uma sensibilidade pós-70. Há a profunda consciência de que as grandes utopias ocidentais não se realizariam. A Revolução dos Cravos, que acabou com o pesadelo do salazarismo, não foi capaz de construir um cenário totalmente novo, pois a democracia já estava subjugada pelo mercado e pela indústria cultural, um sistema muito mais amplo e poderoso do que o estado político que havia sido vencido.
[...] a pós-modernidade veio ensinar-nos uma outra escala, fluidificando e dissolvendo algumas coordenadas já antes instáveis: já não há o futuro (haverá futuros possíveis, condicionais), já não há a utopia (haverá atopias várias), já não há a revolução (haverá imperceptíveis revoluções, pequenas revelações), e assim por diante. Escusado será repetir que, se a idéia de progresso entra, ela própria, em crise, pouco interessará estarmos ou não na vanguarda. Trata-se, não de uma ruptura dramática, mas da abertura de pequenas fendas em todos os sistemas — fendas que provocam um enfraquecimento geral capaz de contaminar de cepticismo qualquer narrativa. (Ibid., pp. 28-29)
A percepção do mundo a partir de um sentimento de estranhamento conduzido pelas rápidas e constantes mudanças na configuração espacial;; a velocidade imposta pela tecnologia; a irrupção de um tempo presente e perpétuo que engole o passado e suas marcas: tudo isso resulta numa poética semelhante à de João Miguel Fernandes Jorge, com fragmentos de uma memória que se encontra sempre em tensão com um tempo contemporâneo veloz e extremamente devorador. O tom nostálgico é deflagrado por esta vontade de recolher vestígios de um passado histórico e pelo desconforto diante do chamado tempo efêmero e espaço amnésico. [1] Diante de um cenário de vazios e perdas, tal tonalidade tem feito desta geração pós 70 uma geração essencialmente elegíaca.
A poesia portuguesa, em particular na última década, vem respondendo a mais esta crise através de uma forma muito própria de reacção à aceleração das aquisições técnico-instrumentais da civilização, ou lúdico-hedonistas de um quotidiano que não se pensa. Nela se acumulam, subliminarmente, como convém à escrita poética, indícios vários da perda e da ausência (de mundos ou de patrimônios da memória pessoal ou colectiva), que se configuram em momentos nostálgicos e melancólicos e em poéticas de teor elegíaco. (BARRENTO, 2006, p. 68)
O enfrentamento de um tempo cujo adjetivo essencial é o descartável tem agregado à poesia pós-70 a clara noção de que este tempo não pode suscitar uma poesia da beleza, do sublime, podendo alimentar apenas uma poesia de detritos, uma narrativa que denuncia um tempo corrosivo e um cotidiano medíocre. De fato, são estes os motivos principais da poesia desta geração que Manuel de Freitas nomeou de “Poetas sem qualidade” [3], geração cuja voz se aproximou ao cotidiano comezinho, à vivência na cidade que se afirma pela destruição constante e iconoclasta:
Valorizava-se uma subjetividade também rugosa, lúcida, acérrima, feroz, que não saberia mais ouvir o “grito do anjo” rilkeano ou não acreditaria na beleza como salvação. O mundo contemporâneo exigiria um novo lirismo, o lirismo do resto, do imperfeito, do lixo, metáfora fundamental de uma sociedade de consumo e de espetáculo. (ALVES, 2008)
Em seu artigo “Conflito de opiniões na poesia portuguesa: oesterco lírico e o grito do anjo”, Ida Alves confronta as artes poéticas de Manuel de Freitas, cuja crença, como dito anteriormente, é de que a poesia possível de nosso tempo é esta poesia corrosiva, desconsolada e nua feita por Joaquim Manuel Magalhaes e outros, e a realizada por Nuno Júdice, que quer “[...] um poema puro, limpo/do lixo das coisas banais, das contaminações de quem/ só olha para o chão: um poema onde o sublime nos/ toque, e o poético seja a palavra plena”. Deste confronto, que se mostra extremamente enriquecedor e produtivo para as discussões sobre o papel da poesia (e do poeta) hoje, a autora manifesta as seguintes conclusões:
Todos os dois, cada um a seu modo, resistem à máquina triturante da cultura de mercado; todos os dois demonstram como a poesia é uma questão incontornável num mundo cada vez mais mecânico, artificial, impessoal, mercadológico. Suas poéticas nos levam a pensar, sim, até que ponto o lixo, que não pára de crescer em nossa sociedade de consumo, não é matéria inevitável do poema contemporâneo, tornando-se “esterco” necessário do poema? Até onde o “grito do anjo” ainda pode ser ouvido por entre o ruído e barulho das grandes aglomerações urbanas de nosso tempo? (Ibid., 2008)
Dialogando com estas concepções destoantes da poesia possível para o nosso tempo está o poemário Porto de abrigo, de Jorge Sousa Braga. [4] Nele, o barulho da cidade grande, o lixo resultante da sociedade de consumo, o asfalto e os carros estão presentes, constituindo índices de que a poesia ali presente está atenta àquilo que está à sua volta. No entanto, imprevisivelmente, este mesmo poemário retoma também imagens tradicionais do sublime, criando uma tensão entre estas duas linhas aparentemente irreconciliáveis: o sublime perdido e o “dessublime” que assola nosso tempo. O resultado parece ser uma resposta criativa (e relevante) à discussão levantada por Freitas e Júdice.
Analisando os poemas reunidos em Porto de abrigo, é possível traçar quatro “subtemáticas” essenciais. Uma delas trata do ritmo frenético e devorador da cidade moderna e da impressão que causa no sujeito lírico o ser parte desse movimento acelerado e vertiginoso. Tal ritmo estaria retratado em poemas como:
PONTE DE ARRÁBIDA
Quando vens do sul ao chegar
à ponte desaceleras um poucopara poderes olhar a escarpa
e o rio… Nenhuma outra cidadese oferece assim a quem chega
como uma cadela permanen-temente com cio.
Sublinharia, no poema, o verbo “desacelerar”, em contraste com a velocidade e a aceleração do tempo na metrópole. No entanto, esta desaceleração, este diminuir (e não parar), só é possível na ponte, ou seja, fora da cidade, no lugar de trânsito para ela. É nele que reaparece a natureza, o rio e a escarpa. Para fora da cidade é possível ainda diminuir o ritmo e readaptar o olhar ao horizonte, ver com amplitude e fixar a visão, enquanto na cidade a visualidade é solicitada constante e ininterruptamente, além de o horizonte ser substituído pela verticalização. Além disso, eu sublinharia a comparação da cidade com uma “cadela permanentemente com cio”, que retrata uma visão do ambiente citadino como voraz, devorador e volúvel.
Outro poema em que as principais características citadinas emergem é “Sucata”:
SUCATA
Um dia teve assentos de couro
e jantes especiais. Abandonadonas margens do passeio quase
só lhe resta o esqueleto. As ervasirromperam por debaixo e os
excrementos das pombas cobrem-lheo tejadilho. Talvez em sonhos
circule ainda numa auto-estradaem direcção ao sul.
A primeira observação que surge com a leitura deste poema é a de que o poeta realiza o movimento inverso ao da cidade, que tem transformado, cada vez mais, os seres em objeto. [5] Aqui, o objeto (o automóvel) ganha características humanas, um esqueleto, uma carcaça que sonha com lembranças felizes do passado e que jaz abandonado e ignorado por transeuntes ocupados em correr e se ocupar de suas rotinas. A imagem desta carcaça pode causar no leitor um sentimento de compaixão, de piedade, o que se dá exatamente pela associação do carro ao ser humano. Porém, é possível ler aqui também uma crítica ácida e lúcida à sociedade de consumo. A indústria automobilística despeja a cada ano modelos novos, que prometem mais potência, mais conforto, mais segurança, transformando o carro, bem durável, desejado, por vezes tratado como ser vivo, em objeto descartável, o qual deve ser substituído sempre pelo modelo mais recente. A descartabilidade, o fetiche da mercadoria, o lixo irresponsável gerado por esta sociedade de consumo estão presentes no poema, ilustrando nosso tempo.
Outra subtemática observada na leitura do poemário é a crítica a uma poesia pseudo-nostálgica, que ignoraria as marcas de seu tempo sempre em busca de um refúgio seguro e feliz, longe da vertigem da cidade e da modernidade. Tal tema está retratado em poemas como:
LIVRARIA ACADÊMICA
Todas as quartas-feiras entras
na Livraria Acadêmica passasos olhos pelas lombadas
dos livros alinhados sobreo balcão folheias um ou
outro devagar… O que procuras
entre tanta prosa amare-
lecida? Uma palavra quejustifique a tua vida.
No poema acima, a palavra marcante é “amarelecida”, que remete a um campo semântico de velho, ultrapassado, mofado, desusado, anacrônico, entre tantos outros. Este termo também remete ao ambiente de uma livraria cujo nome é, ironicamente, Acadêmica. A característica inicial do acadêmico é conservar a tradição, reverenciar o passado. A referência temporal, “todas as quartas feiras”, reafirma esse traço de uma ação habitual, repetitiva, metódica, que não admite mudanças no que já está previsto. Os livros estão alinhados sobre o balcão, reforçando a idéia de uma organização, de uma harmonia prevista, conhecida, uma ordem inalterável. Além disso, no fim do poema, emerge a crítica feroz àqueles que pensam poder escapar do contemporâneo refugiando-se num passado já caduco.
Outra crítica nesta linha encontramos no poema a seguir:
PÓLO NORTE
O que esperas sentado
mesa do café olhandoa chávena vazia? Que
o lastro do quotidiano sedespegue da rua alma
e da tua pele e que abeleza como um oceano
inunde a folha de papel.
Novamente o poema se dirige a um interlocutor que poderíamos associar, facilmente, à figura de um poeta que espera com apatia o surgimento de uma inspiração capaz de libertá-lo da mediocridade cotidiana. O conflito está entre a imagem da xícara vazia, índice deste cotidiano comezinho, incapaz de fornecer matéria para o poema, e a imagem do oceano, força maior e superior capaz de preencher o papel vazio e branco com beleza. A pergunta, irônica e cética, está quase a rir do poeta esperançoso, que olha para o nada em busca de redenção. O título suscita muitas possibilidades de interpretação, mas a que parece ter mais força com relação a todo o poema é a imagem de Pólo Norte colando-se à de “folha de papel”, um horizonte branco, inóspito e de difícil acesso.
O sublime que surge à revelia do movimento nada sublime da cidade é outro tema que se observa no poemário. Aqui, imagens tradicionalmente usadas como índices do Belo aparecem apesar do barulho e da sujeira da modernidade:
A MENINA DA AVENIDA
Nem a chuva nem a poluição
dos escapes dos automóveisconseguiram ensombrar
o seu sorriso. Mostra osseios tímidos onde nem as
pombas se atrevem a poisar.
No poema acima reproduzido há uma imagem absolutamente romântica que se desenvolve à revelia da poluição, do barulho e do movimento da avenida. O contraste com o caos urbano característico das grandes avenidas não anula, mas realça a leveza da imagem. A conjunção coordenativa aditiva que inicia o poema mostra que o sublime está acontecendo ali, num ambiente em nada propício, mas que os elementos desse ambiente, como os escapes dos automóveis, não foram suficientes para impedir a manifestação dessa visão de beleza.
AS TROMBETAS DOS ANJOS
As primeiras trombetas dos anjos
despontaram hoje sobre os murosda alameda. Ao volante dum Ford
apesar do pára-arranca chega-me aos ouvidos silenciosa e doce
a sua música branca.
Neste poema, a presença do anjo chega através de um estímulo auditivo, assim como a presença da cidade, através do barulho dos carros. É relevante como, aqui, a locução prepositiva “apesar do” mostra como este barulho não é suficiente para fazer desaparecer a música “silenciosa e doce” das trombetas dos anjos. Na verdade, esses sons se misturam, acontecem simultaneamente.
IGREJA DE SANTA CATARINA
Um anjo papudo olha-me
lá do alto e eu estendoas mãos não vá ele es-
tatelar-se no asfaltoUm anjo papudo pintado
de azul-cobalto.
O anjo, figura do sublime, é tratado de maneira irônica, papudo, e o sujeito poético estende a mão e faz a figura do sublime descer do alto onde se encontra. O asfalto, elemento da cidade no poema, aparece como algo que, em interação com o sublime, pode mudar-lhe o aspecto, dando-lhe nova cor e roupagem.
Como último exemplo de poema cuja temática é a tensão/interação entre sublime e modernidade está “Um anjo no Porto”:
Eu vi-o um dia destes pairando
sobre a Torre dos Clérigos
ou descendo a Avenida dos
Aliados ao fim da tarde.
Disfarçava mal as asas
por debaixo da gabardina
e abdicara da auréola. Po
-dem não acreditar mas eu
vi-o. Da última vez atra-
vessava a pé o rio.
De imediato, o que nos grita neste poema é sua relação com “A perda do halo” [6], de Baudelaire, em quem a percepção da modernidade, que então se iniciava, fala muito alto. O anjo de Jorge Sousa Braga pode ser visto descendo a avenida como qualquer transeunte, e, assim como o anjo de Baudelaire, já não possui mais auréola, além de esconder as asas debaixo da gabardina. No entanto, este anjo, que confunde-se na massa por não ter mais os elementos que o distinguiriam do resto da multidão, continua a ser um anjo, e está pronto para oferecer beleza e visões do inesperado em meio ao ambiente do corriqueiro, do habitual, do comezinho.
A última subtemática, cuja força pulsa em todas as outras e em todo o poemário, é a questão do papel da poesia e do poeta numa paisagem árida como esta, oferecida pela modernidade. Cito dois poemas que ilustram bem esse quadro, e que mostram como a poesia pode reagir a ele.
DUNAS
Conhece-os bem os narcisos
e os cardos roladores com assuas inflorescências azuis quem
anda pelas dunas ao fim da tardeEnterram fundo as raízes na
areia e florescem florescemenquanto à volta tudo arde.
A beleza da imagem de uma poesia que a tudo resiste, mesmo à configuração mais árida e dura, é o que há de mais forte neste poema. O poeta, bem como os cardos roladores e narcisos, deve enterrar fundo as raízes de sua poesia neste ambiente corrosivo, tirando daí o alimento que faz florescer o poema, mesmo que, à sua volta, tudo arda.
O APANHADOR DE COGUMELOS
O mais difícil não é distinguir
entre um boleto pão-de-ló e umboleto-de-satanás o mais difícil
não é andar quilómetros e quiló-metros por uma floresta e chegar
ao fim com os pés enxutos.O mais difícil é não sucumbir
à beleza desse mundo que sealimenta de detritos em putre-
facção e onde não há floresnem frutos
Fazer poesia em um mundo assolado por detritos, por restos produzidos por uma sociedade viciada na produção e no consumo de mercadorias cada vez mais irrelevantes, pode ser uma tarefa difícil. Encontrar matéria para o poema, distinguir entre o cogumelo venenoso e o saudável, bastante parecidos, também é papel do poeta na modernidade. Este parece ser o desafio que a poesia enfrenta hoje: encontrar um meio de florescer num mundo cuja experiência tem sido cada vez mais ácida, amarga e venenosa.
Jorge Sousa Braga enfrenta esse desafio. Em resposta à visão de Manuel de Freitas, que quer ver na poesia os signos de seu tempo, numa denúncia desconsolada da feiúra, do fedor e de tudo aquilo que seus sentidos e sua experiência captam neste mundo de baixeza; e à visão de Nuno Júdice, que ainda acredita na possibilidade de a poesia revelar o “grito do anjo”, Jorge Sousa Braga entrega a beleza possível de nosso tempo, anjos pintados de asfalto, músicas angelicais misturadas ao ruído do trânsito e ao barulho dos carros, flores que florescem fixando suas raízes numa paisagem árida, a qual aparentemente nada poderia oferecer. A beleza está lá, mas a cidade, que é um vício [7], também.
O título do poemário, Porto de abrigo, tão pouco aplicável a uma configuração espaço-temporal como a que é revelada pela modernidade, pode, no entanto, aplicar-se ao lugar da poesia nesta configuração, um porto seguro, um abrigo onde podemos elaborar uma leitura para este tempo que parece tão pouco amigável, tão hostil.
As opiniões de Freitas e Júdice, tão destoantes, parecem enfim encontrar um ponto de convergência no trabalho de apanhador de cogumelos realizado por Jorge Sousa Braga.
NOTAS
[1] Conceitos retirados do livro Espaço-tempo na metrópole, de Ana Fani Alessandri Carlos (2001). Referem-se à perda de referências espaciais e, portanto, à perda de memória, conduzida pela constante mudança na configuração citadina moderna.
[2] Nome que o autor deu à antologia que organizou, publicada em 2002, em Portugal.
[3] Jorge Sousa Braga, poeta português de obra recentíssima, nasceu em Vila Verde, Braga, em 1957. É médico obstetra e iniciou sua carreira literária nos anos 80. Seu poemário Porto de abrigo, corpus deste trabalho, foi publicado em 2005.
[4] “É nesse contexto que se constitui a sociedade urbana, impondo novos padrões de comportamento a partir da predominância do objeto (nas relações sociais) e da emergência de um individualismo de massa, bem como a criação de uma ideologia que contempla a mercadoria transformada em signo que vai permear e redefinir as relações sociais e, portanto, a instauração do cotidiano.” (CARLOS, 2001, p. 351)
[5] O poema fala do poeta que, caminhando pelas ruas da cidade moderna, em meio a cavalos e carros, na correria que esta nova configuração da rua impõe aos pedestres, deixa cair sua auréola na lama, preferindo abdicar dela e tornar-se um ser comum a ser atropelado pelo movimento da modernidade. O poema é bastante interessante e cheio de ironia. Está incluso na coletânea de poemas em prosa, O Spleen de Paris.
[6] Faço alusão ao poema do autor “Porto de abrigo”, também encontrado no poemário estudado neste trabalho. O poema apresenta o seguinte trecho: “Esta cidade não é uma cida-/de é um vício.”
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALVES, Ida. “Conflito de opiniões na poesia portuguesa: O esterco lírico e o grito do anjo.” In: ALVES, Ida; Pedrosa, Célia (orgs.). Subjetividades em devir: estudos de poesia moderna e contemporânea. Rio de Janeiro: 7letras, 2008.
BARRENTO, João. O arco da palavra. São Paulo: Escrituras Editora, 2006.
BRAGA, Jorge Sousa. Porto de abrigo. Lisboa: Assírio & Alvim, 2005.
CARLOS, Ana Fani Alessandri. Espaço-tempo na metrópole: a fragmentação da vida cotidiana. São Paulo: Contexto, 2001.
PINTO DO AMARAL, Fernando. O mosaico fluido: modernidade e pós-modernidade na poesia portuguesa mais recente. Lisboa: Assírio & Alvim, 1991.
Mariana da Costa Valim cursou Letras na Universidade do Estado do Rio de Janeiro e atualmente é mestranda em Literatura Hispânica pela Universidade Federal Fluminense.
