the fall of rome – w. h. auden
The Fall of Rome
for Cyril Connolly
The piers are pummelled by the waves;
In a lonely field the rain
Lashes an abandoned train;
Outlaws fill the mountain caves.Fantastic grow the evening gowns;
Agents of the Fisc pursue
Absconding tax-defaulters through
The sewers of provincial towns.Private rites of magic send
The temple prostitutes to sleep;
All the literati keep
An imaginary friend.Cerebrotonic Cato may
Extol the Ancient Disciplines,
But the muscle-bound Marines
Mutiny for food and pay.Caesar’s double-bed is warm
As an unimportant clerk
Writes I DO NOT LIKE MY WORK
On a pink official form.Unendowed with wealth or pity,
Little birds with scarlet legs,
Sitting on their speckled eggs,
Eye each flu-infected city.Altogether elsewhere, vast
Herds of reindeer move across
Miles and miles of golden moss,
Silently and very fast.
A queda de Roma
para Cyril Connolly
As ondas batem contra o cais;
a chuva sobre o descampado
açoita um trem abandonado;
nos montes há ladrões demais.
As vestes cada vez mais belas;
o Fisco busca sem pudores
abscônditos sonegadores
nos esgotos das cidadelas.
Faz-se dormir, com ritos mágicos,
no templo as sacras prostitutas;
e os literatos já recrutam
um amiguinho imaginário.
Catão, o cérebro perfeito,
louva os saberes do passado;
fuzileiros amotinados,
porém, exigem seus direitos.
Esfria o leito imperial
enquanto um reles funcionário
em seu rosado formulário
diz: MEU TRABALHO PAGA MAL.
Sem riqueza e sem piedade,
passarinhos de rubras pernas
aquecem seus ovos e observam
a gripe entrando nas cidades.
Num lugar distante, entrementes,
imensos bandos de veados
correm por milhas de dourado
musgo, silenciosamente.
Pedro Sette-Câmara nasceu em 1o de junho de 1977. Abandonou diversas faculdades e sempre estudou muito por conta própria. Já praticou astrologia medieval e renascentista. Deseja intensamente formar-se em grego pela UFRJ, onde cursa a graduação. Trabalha como intérprete, tradutor literário e professor de tradução literária, mas apenas da língua inglesa.
