poemas – danilo bueno
Contra a mão que escreve
Investe o Sol em sacrifício
Melhor perder os dentes
Julga o parvo a mensagem que o conjuga
Dói em si o malogro deste mundo
Acidula o horizonte em sua linha
Falo de flores falo de sol-pores
O corpo e o bordão descoloridos entoam
Rimas de outros dias
***
Starbucks e Gadgets
Tarde estúpida de turistas
A turba obscura se avoluma
Arrastadas, crianças parecem tralhas
Liquidações arrancam braços
Faz a delicada jovem corar
Apocalípticos lábios de sibilas
30 60 90
O monopólio exorbita
À luz inconcussa das mercadorias – o céu
O teto mais abandonado
Idiotia e província
Ausente a fé a luz tudo ilumina
***
Concentração de batimentos cardíacos
E respiração sem palavras,cifra
De anseios além das promessas
Direção sem desvio o horizonte ressoa
Giro em que não há acorde
Só a carótida do vivido
Não há outra sede nunca haverá
Fome alguma além desta que dispo
O ontem virado e já sem lembrança
Apétalo e invicto em sua margem
Brisa entremeada que se movia
Habita a côdea rediviva
***
Para dizer o pai
Aos 40
Sem trabalho
O irmão
Que passa de bicos
Com toda a troça
E a mãe
Enterrada viva
Na casa diária
Quando o menino
Entre morros e marmitas
De farinha e pedra
E ainda a menina
Deitada em hits e risos
Direto pra faxina
Que se dirá ao próximo
Na hora extrema
Depois da última carta
Danilo Bueno nasceu em Mauá, São Paulo, em 1979. Reside na cidade de São Paulo desde 2006. Publicou a plaquete Fotografias (Alpharrabio Edições, 2001) e os livros: crivo (Alpharrabio Edições e Fundo de Cultura do Município de Mauá, 2004) e Corpo sucessivo (Oficina Raquel, 2008).
