editorial
um clássico é o livro sempre relido porque seu conteúdo formou de antemão nosso entendimento, como uma espécie de herança genética. mas um clássico é também um livro que possua algo de indestrutível, que o tempo e as reduções não conseguem roer, relembra nosso colunista ricardo pinto de souza. se de clássicos falamos, pegam-nos pela mão machado, flaubert, eça; garrett, alves e byron; dante, shakespeare, camões, cervantes… e a bíblia, claro, ela que, assim como os épicos, está por ai há tantos séculos, e que ainda é citada como o é em filipa leal, poeta portuguesa cujo livro, a inexistência de eva, é resenhado por luis maffei.
porém, por mais que tentássemos, como calvino, dar resposta à pergunta “o que são clássicos?”, nosso empreendimento nunca seria definitivo. nesse caso, mudemos de assunto, e nos voltemos para a imoralidade e a moralidade de livros, com a ajuda do (clássico?) oscar wilde: um livro não é, de modo algum, moral ou imoral. os livros são bem ou mal escritos. eis tudo. porém, o que de novo poderia ser dito aqui, senão o que afirmou o nosso elenco de entrevistados, após ter gentilmente aceitado o convite para elaborar um pequeno texto-depoimento sobre a, talvez polêmica, frase de wilde.
se, junto com os clássicos, deixamos a discussão da imoralidade para o espaço ao lado, resta então, a este agora despretensioso editorial, convidar nossos leitores a ler sobre um deleuze, uma idade média e um jardim do éden apresentados, respectivamente, por ângela sarmento, ricardo da costa e adriano de paula rabelo; a digerir a tradução de um artaud, por izabela leal; e também a ler as talvez um dia clássicas virginia boechat, com suas letras, e julia duarte, com suas imagens.
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