editorial


“O chão é um atlas das viagens que eu faço”, afirma Nuno Júdice em entrevista a Ida Alves e Luis Maffei. Como chão, o poeta tem a <em>ponte</em> entre passado e presente, forma poética que reúne o cotidiano. Não podemos dizer se o autor acredita ser apenas dos poetas a edificação de tamanho piso, mas o que vemos em nossa edição de número 16 é o traçar de um caminho semelhante, ladrilhado pelas leituras do tempo: Mayara Ribeiro visita, de dentro, a ferida que num passado próximo lhe causou Clarice Lispector; olhando o presente, Marcos Alexandre Ramos vê um Caio Fernando erótico, sempre em transformação; enquanto Rommel Luz, em busca de um futuro há muito anunciado, pensa o fim da filosofia.

Além de tempos, nosso novo número, como de costume, também nos leva a atravessar subjetividades e palavras. Em nossas colunas, Ricardo Pinto de Souza vê os comedores de ópio da nossa civilização, ao mesmo tempo em que Luis Maffei mergulha na aguda interioridade de um poeta outro. E, se é com poesia que essa interioridade atinge seu grau máximo, expandido-se incessantemente por nosso mundo sensível, Audemir Leuzinger e Sylvia Plath, em tradução de Hugo Langone, não deixam obstáculos no caminho. Caminho que Salmo Dansa percorre com imagens cecilianas, entre a memória e a imaginação.

A todo o tempo, uma boa leitura a todos!

os editores.

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