editorial
Pequena morte é uma idéia afim ao prazer e à dor. Afinal, não se morre impunemente, nem se estivermos ainda na metáfora ou na expansão de sentidos. Mas como se sai da metáfora? Problema para Nadine Gordimer, que aqui comparece em tradução de Débora Landsberg. Problema para nosso colunista Ricardo Pinto de Souza; problema para Gonçalo M. Tavares, aqui convidado pelo ensaio de Madalena Vaz Pinto: inventar o corpo novo é da ordem do sacrifício, voluntário ou não.
E até o desejo dói, pois mesmo querer tem conseqüências: “nostalgia do mundo”, diz Sofia de Sousa Silva sobre o Octávio C. de Pedro Eiras, ainda que se ria daquilo. E ri-se, sem conciliação. Talvez o poder do símbolo, diz Marcos Pasche sobre a poesia de José Paulo Paes, seja capaz de harmonizar alguma coisa – não tanto a poesia de Casé Lontra Marques, cujo livro de estréia vem resenhado por nosso colunista Luis Maffei. Mas o símbolo ainda, e ainda a pequena morte. , ou a pequena morte: uma coisa e outra coisa, dor e gozo, indefinidamente. Ou – declarará o poeta desta edição, Érico Nogueira – “Um lume chega – ou vem do alto, ou vem de baixo,/ a treva, devagar, expele um novo dia”, conciliação dolorosa mas possível, pequena morte.
Venha agora a leitura, para que todas estas vivências venham enfim a existir.
os editores.
