humanização de manequins – daniel lôbo
A série “Humanização de manequins” nasceu de forma distraída, enquanto eu fotografava um show no centro de Bergen, cidade da Noruega onde passo seis meses por ano. Em meio a uma pequena multidão, procurando por um bom objetivo fotográfico, vi um prédio refletido na vitrine de uma loja de roupas, com um manequim ao fundo. Fiz a foto e voltei pra casa. Para minha surpresa, aquele foi meu retrato predileto entre todos os que tirara naquela tarde, mesmo que ali não houvesse pessoa alguma –- até então minhas fotos sempre contavam com figuras humanas. Naquele momento, a série nasceu.
Ela, porém, só começou a caminhar e falar quando vi, num jornal, a foto de um grupo de feministas protestando em frente à mesma vitrine onde eu havia fotografado. Era algo sobre a banalização das mulheres promovida pelos manequins em lojas de roupa. Imagino que, no fundo, elas apenas se referiam à moda. No entanto, na entrevista dada ao periódico a palavra “moda” sequer fora mencionada. Os manequins haviam sido escolhidos apenas como objetivo. Então, entendi que elas, assim como eu, quando fotografei aquela vitrine, haviam escolhido os bonecos para falar de pessoas, sem ter de apontar para ninguém. Vendo a reprodução do protesto no jornal, porém, fiquei com pena deles. Passei a achar curiosa a relação dúbia que mantemos com os manequins. De objetos que querem ser pessoas e de pessoas que querem ser como esses objetos. Foi então que passei a olhá-los nos olhos e a extrair de cada um deles um personagem.
Daniel Lobo é carioca, tem 25 anos e trabalha como fotógrafo.
Esta série completa se encontra neste site, e outros trabalhos também podem ser visualizados aqui.





