editorial
Nesta edição #14, a diretora Anna Ditges afirma, sobre seu contato com a obra e a vida da poetisa Hilde Domin, também traduzida neste número: “Para mim, Hilde era com um livro vivo, através do qual eu podia ler o último século.” Emblemática, dificilmente não conseguiríamos transpor a afirmação de Anna à nossa relação com as grandes obras: perante elas, no instante do arrebatamento, ganhamos a chave de leitura do mundo.
Se Eliot sabia disso, indicando as obras que permitiam (e permitem, cada vez mais) o acesso ao nosso Waste Land, Jane Tutikian também sabe, nos guiando pelos caminhos das mulheres nas narrativas históricas — no que, junto com a coluna de Ricardo Pinto de Souza, amplia o horizonte de discussão acerca dos desgostos do nosso tempo. Como fora com Ovídio, são desses desgostos mundanos que os sonetos da Marquesa de Alorna tenta se afastar, pelo menos como nos é mostrado pela professora Gilda Santos em resenha à obra da poetisa.
E, se se afastar dos desgostos é também lê-los, é bom que tenhamos nesta edição a presença de Pascal, que, pela escrita de Bernardo Guadalupe, busca a aposta na Felicidade imutável, assim como Ana Luísa Amaral busca o excesso mais perfeito e o poema que se devia – condição ideal para que Luis Maffei abra nossos olhos para A metamorfose das plantas dos pés, da jovem Catarina Nunes de Almeida.
Uma boa leitura a todos.
os editores.
