o mezzorato do meu pai – natalia ginzburg
Il mezzorato di mio padre
Mio padre s’alzava sempre alle quattro del mattino. La sua prima preoccupazione, al risveglio, era andare a guardare se il mezzorado era venuto bene. Il mezzorado era latte acido, che lui aveva imparato a fare, in Sardegna, da certi pastori. Era semplicemente iogurte. Lo iogurte, in quegli anni, non era ancora di moda: e non si trovava in vendita, come adesso, nelle latterie e nei bar. Mio padre era, nel prendere lo iogurte come in molte altre cose, un pioniere. A quel tempo non erano ancora di moda gli sport invernali; e mio padre era forse, a Torino, l’unico a praticarli. Partiva, non appena cadeva un po’ di neve, per Clavières, la sera del sabato, con gli sci sulle spalle. Allora non esistevano ancora né Sestrières, né gli alberghi di Cervinia. Mio padre dormiva, di solito, in un rifugio sopra Clavières, chiamato « Capanna Mautino ». Si tirava dietro a volte i miei fratelli, o certi suoi assistenti, che avevano come lui la passione della montagna. Gli sci, lui li chiamava «gli ski ».
Aveva imparato ad andare in ski da giovane, in un suo soggiorno in Norvegia. Tornando la domenica sera, diceva sempre che però c’era una brutta neve. La neve, per lui, era sempre o troppo acquosa o troppo secca. Come il mezzorado, che non era mai come doveva essere: e gli sembrava sempre o troppo acquoso o troppo denso.
- Lidia! l il mezzorado non è «venuto»! – tuonava per il corridoio.
Il mezzorado era in cucina, dentro una zuppiera, coperto da un piatto e ravvolto in un vecchio scialle color salmone che apparteneva un tempo a mia madre. A volte, non era «venuto» affatto, e si doveva buttar via: non era che un’ acquerugiola verde, con qualche blocco solido di un bianco marmoreo. Il mezzorado era delicatissimo, e bastava niente e far sì che non riuscisse: bastava che lo scialle che lo ravviluppava fosse un po’ scostato, e lasciasse filtrare un po’ d’aria.
- Anche oggi non è «venuto »! Tutta colpa della tua Natalina! – tuonava mio padre dal corridoio a mia madre, che era ancora mezzo addormentata, e gli rispondeva dal letto con parole sconnesse.
Quando andavamo in villeggiatura, dovevamo ricordarci di portar via «la madre del mezzorado», che era una tazzina di mezzorado bene incartata e legata con uno spago.- Dov’è la madre? avete preso la madre? – chiedeva mio padre in treno, rovistando nel sacco da montagna. Non c’è! qui non c’è! – gridava: e a volte la madre era stata davvero dimenticata, e bisognava ricrearla dal nulla, col lievito di birra.
Mio padre faceva, al mattino, una doccia fredda. Lanciava, sotto la sferza dell’ acqua, un urlo, come un lungo ruggito; poi si vestiva e trangugiava gran tazze di quel mezzorado gelido, in cui versava molti cucchiai di zucchero. Usciva di casa che le strade erano ancora buie, e quasi deserte; usciva nella nebbia, nel freddo di quelle albe di Torino, con in testa un basco largo, che gli formava quasi una visiera sulla fronte, con un impermeabile lungo e largo, pieno di tasche e di bottoni di cuoio; con le mani dietro la schiena, la pipa, quel suo passo storto, una spalla più alta dell’ altra; per le strade non c’era ancora quasi nessuno, ma le poche persone che c’erano lui riusciva a urtarle nel passare, camminando aggrondato, a testa bassa.
O mezzorato do meu pai
Meu pai se levantava sempre às quarto da manhã. A sua primeira preocupação, ao acordar, era ver se o mezzorato estava bom. O mezzorato era o leite ácido que ele aprendeu a fazer na Sardenha, com alguns pastores. Era simplesmente iogurte. O iogurte, naqueles anos, ainda não estava na moda: e não se achava como agora, nas leiterias e nos bares. Meu pai era, no fazer iogurte como em muitas outras coisas, um pioneiro. Naqueles tempos, os esportes invernais ainda não estavam na moda; e meu pai talvez, em Turim, fosse o único que os praticava. Partia, no primeiro sinal de neve, para Clavières, na noite de sábado, com os esquis nas costas. Não existiam ainda nem Sestrieres, nem os hotéis de Cervínia. Meu pai dormia, normalmente, em um refúgio em Clavières chamado “Capanna Mautino”. Às vezes levava meus irmãos, ou melhor, seus assistentes, que também eram apaixonados pelas montanhas. Os seus esquis, ele os chamava “os esquis”.
Aprendeu a esquiar muito jovem, numa temporada na Noruega. Quando voltava, no domingo à noite, dizia sempre que a neve não estava boa. A neve, para ele, era sempre ou muito aquosa ou muito seca. Como o mezzorato, que nunca era como deveria ser: ou muito aquoso ou muito denso.
— Lídia! O mezzorato não “deu”! — berrava pelo corredor.
O mezzorato ficava na cozinha, dentro de uma sopeira, coberto por um prato e envolvido por um velho xale de cor salmão que pertencera à minha mãe. Às vezes, não “dava” mesmo, e tínhamos que jogar fora: um aguaceiro verde, com alguns blocos sólidos branco marmóreo. O mezzorato era delicadíssimo, e bastava pouco para não dar certo: bastava que o xale que o envolvia estivesse um pouco fora do lugar e deixasse passar um pouco de ar.
— Hoje também não “deu”! A culpa é toda da tua Natalina! — berrava meu pai, do corredor, à minha mãe, que ainda adormecida o respondia com palavras desconexas. Quando viajávamos, tínhamos que lembrar de levar “a mãe do mezzorato”, que era uma eqüina xícara de mezzorato bem empacotada amarrada com um elástico.
— Cadê a mãe? Vocês pegaram a mâe? — perguntava meu pai no trem, revistando a bolsa. — Não tá! Aqui não está! — gritava: e às vezes a mãe era realmente esquecida, e tínhamos que recriá-la do nada, com levedo de cerveja.
Meu pai, pela manhã, tomava um banho frio. Soltava, sob o chicote da água, um grito, como um longo rugido; depois se vestia e engolia grandes xícaras daquele gélido mezzorato, no qual versava muitas colheres de açúcar. Saía de casa com as estradas ainda escuras e quase desertas; saía na neve, no frio daquelas alvoradas de Turim, com um largo chapéu basco na cabeça, que quase formava uma viseira sobre a fronte, com um impermeável longo e largo, cheio de bolsos e botões de couro; com as mãos atrás das costas, o cachimbo, seus passos tortos, um ombro mais alto do que o outro; pelas estradas não havia quase ninguém, mas daqueles poucos que passavam ele conseguia chamar-lhes a atenção, caminhando sem desenvoltura, com a cabeça abaixada.
Juliana Cassidy, nascida no Rio de Janeiro, é graduanda em Português-Italiano pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Desde 2006, está morando em Dalmine, província de Bergamo, na Itália, onde pode acompanhar a nova literatura italiana de perto.
