três poemas – serge pey


Nous cherchons
la pierre à lire
qui défait le rosier
d’épine à pétale

Nous avons trouvé cette pierre
nous en avons rempli notre coeur
puis nous l’avons bu dans son vase

Maintenant nous reconstruisons un rosier
qui récite la femme
qui nous aime
en boitant dans l’avenir

La lune lourde qu’elle tient dans ses bras
n’est pas son enfant ni son chien

mais une lampe de chair
mais une lumière de chair

quand elle nous donne ses doigts
quand le vent chemine dans son Nord



Procuramos
a pedra para a ler
desfazer a roseira
do espinho à pétala

Encontrada tal pedra
preenchemos dela nosso coração
depois a bebemos em seu vaso

Então reedificamos uma roseira
que recita a mulher
que nos ama
coxeando no futuro

a lua pesada que ela tem nos braços
não é seu filho nem seu cão

mas uma lâmpada de carne
mas uma luz de carne

quando ela nos dá seus dedos
quando o vento avança em seu Norte


Les fruits
qui jonchent le sol
sont recouverts
de cheveux blancs

Des cheveux blancs
poussent aussi dans mon sang

J’avais voulu
finir l’infini
bâtir une maison
dans une autre maison

Je cherchais le coeur de verre
qui remplaçait le soleil

Le soleil
qui lui aussi
était devenu blanc

Le soleil
dont les vieux
cheveux de femme
partageaient les nuages
avec la fumée
d’un avion

Le soleil
qui distribuait ses images
sans égalité
dans l’ordre
d’un nombre inconnu
sans jeu
car les joueurs
avaient connu la règle
qu’après avoir
perdu la partie


As frutas
que juncam o solo
estão cobertas
de cabelos brancos

Cabelos brancos
crescem também no meu sangue

Eu desejara
findar o infinito
fundar uma casa
numa outra casa

Eu procurava o coração de vidro
que supria o sol

O sol
que também
tornara-se branco

O sol
cujos velhos
cabelos de dona
partilhavam as nuvens
com a fumaça
de um avião

O sol
que distribuía suas imagens
sem medida
na ordem
de um nome desconhecido
sem jogo
pois os jogadores
tinham conhecido a regra
só depois que
perderam a partida


La mer serait aussi
une bête de l’air
qui aurait bu
toute l’eau des rivières

qui porterait
la lune d’un à-coup
en pleine nuit
dans un mugissement


O mar seria também
Um animal do ar
que teria bebido
toda a água dos rios

que tomaria
a lua num assalto
em plena noite
com um grito


Márcio-André, carioca, é coordenador editorial da Confraria do Vento e poeta, autor dos livros Movimento Perpétuo, pelo qual recebeu, em São Paulo, o prêmio Joaquim Duarte Baptista de literatura contemporânea, oferecido pela Sociedade de Cultura Latina do Brasil. Também participou das antologias 8 poetas, lançada em 2004 pela editora da UFRJ e Cepensamento 20000, da Azougue editorial. É colaborador de várias revistas literárias e co-fundador do grupo Arranjos para Assobio, de Texturas poéticas e realidades experimentais (http://arranjos.confrariadovento.com). Como tradutor, prepara a publicação de obras de Mathieu Bénézet e Bernard Heidsieck.

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